Bilionária doa R$ 500 mil a Lula diz que elegê-lo ‘é mais importante que caridade’


Rio – Herdeira da família fundadora do banco Credit Suisse, Roberta Luchsinger vai doar cerca de R$ 500 mil em dinheiro e objetos pessoais de valor ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após o bloqueio de bens decretado pelo juiz Sergio Moro. Ao jornal o GLOBO, ela relatou nesta sexta-feira que a doação, apelidada de “Bolsa Lula”, tem “valor simbólico” e disse não existir nenhuma prova contra o petista, condenado a nove anos e meio de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

Em apoio ao ex-presidente, que teve mais de R$ 9 milhões em planos de previdência e contas bancárias bloqueados, Roberta vai reunir artigos próprios, como cheques, objetos e joias, em uma mala de grife que será entregue pessoalmente a Lula. Ela sugere que o petista realize uma penhora dos bens. O encontro entre os dois é intermediado pelo ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gilberto Carvalho, amigo pessoal da herdeira. Ela alega que, por já colaborar regularmente com a caridade, não vê problemas em destinar a doação ao ex-presidente.


— Há muitos anos eu mantenho projetos sociais. A comunidade de Brasilândia me conhece bem, não preciso ficar alardeando. A minha doação ao Lula tem um poder simbólico: mostrar à sociedade o quanto um presidente como ele faz falta aos mais desfavorecidos. Eleger Lula presidente é muito mais importante do que qualquer tipo de caridade — disse ao GLOBO.

Neta do banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger e herdeira do Credit Suisse, segundo maior banco da Suíça, Roberta dedica muitas postagens em redes sociais à política, sempre em defesa de Lula e contrária às reformas propostas pelo governo do presidente Michel Temer. Seu perfil mais ativo nas redes mescla o assunto com posts sobre viagens, refeições, trabalho e vida particular. A doação foi apelidada de “Bolsa Lula” em referência ao “Bolsa Família”, como revelado pelo jornal “Folha de S. Paulo”. Paula afirma que a condição social deve atrair mais atenção à campanha do petista em 2018.

— Quero mostrar que estou com Lula, independente da minha origem social. Sei que sou uma estranha no ninho, mas não me incomodo — conta.

A preocupação em colaborar com o ex-presidente envolve também críticas à Lava Jato. Além de acreditar na inocência de Lula, ela questiona as decisões de Sergio Moro, a quem acusa de ser parcial.

— Não existe nenhuma prova contra Lula. Não sou eu quem afirma isso e sim juristas importantes. Basta ver quais políticos estão presos e a quais partidos eles pertencem para constatar o quanto Sergio Moro tem sido parcial em seus julgamentos.

— Minha luta é pelo social. Quem investigar a história da minha família, saberá o quanto ela sempre valorizou o trabalhador. Esse governo que está aí não tem qualquer consideração pelas pessoas que construíram e constroem esse país, basta ver o que tem sido aprovado nas reformas previdenciárias e trabalhistas.

Procurado, o Instituto Lula disse que não vai comentar a doação.

Por Juliana Arreguy do Jornal O Globo

 

 

 

 

 


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