Forças Armadas não vão segurar Temer, afirma Renan Calheiros

Brasília – O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), utilizou a tribuna do Senado nesta quarta-feira (24) para, mais uma vez, tecer críticas ao presidente Michel Temer.

Ao comentar o decreto presidencialque ordenou que as Forças Armadas reforçassem a segurança em Brasília, Renan disse que “se o governo não se sustenta, não serão as Forças Armadas que vão sustentá-lo”.

O peemedebista disse ainda que Temer tem o direito de chamar as Forças Armadas nesse caso, mas que “beira à insensatez fazer isso no momento em que o país pega fogo, beira à irresponsabilidade”.

“Fazer isso dissimuladamente e atribuir a responsabilidade ao presidente da Câmara é um horror. Se esse governo não se sustenta, não serão as forças armadas que vão sustentar esse governo”, declarou Renan.

Rompido com Michel Temer, Renan voltou a criticar as reformas enviadas pelo Executivo ao Congresso Nacional e fez críticas à condução do governo pelo presidente da República.

“Um governo com essa rejeição não pode pretender que vai transferir para o Congresso Nacional, que vai impor uma reforma que a sociedade acha que é demais, que é exagerada”, declarou.

Em um embate com o presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (PMDB-RR), Renan também questionou posicionamentos do partido.

“O PMDB não é um departamento do Executivo, o PMDB não é um subproduto do governo. O PMDB é um partido político que, coincidentemente, tem lá na Presidência da República um filiado do PMDB, mas isso não significa dizer que o PMDB vai aceitar sem discutir toda imposição do Palácio do Planalto”, criticou.

Ele também repetiu que o governo Temer sofre, na visão dele, influência do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato.

Jucá reage

Logo depois do pronunciamento de Renan, o líder do governo no Senado, e presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), subiu à tribuna para rebater as críticas de Renan Calheiros.

“Senador Renan Calheiros, o povo do Brasil já está ferrado. E quem ferrou o povo do Brasil não foi o governo de Michel Temer, foi o governo Dilma. Foi a herança que recebemos, foi o desastre que nós temos que tratar”, disse Jucá.

“O governo não está caindo, o governo não está fraco, não adianta fazer lista de presidente, porque vai haver resistência, dentro da legalidade”, completou.

Jucá também rechaçou a colocação de Renan de que Temer chamou as Forças Armadas para se sustentar.

“Isso não é verdade. O presidente chamou as Forças Armadas porque um bando de marginais estava tocando fogo em ministérios. Foi isso que ele fez e tinha a obrigação de fazer”, defendeu Jucá.

Em crítica à postura de Renan como líder do PMDB, o senador de Roraima disse que a “bancada peemedebista tem que ser respeitada a sua maioria”.

“Enquanto eu for presidente do partido eu vou segurar isso. No grito ninguém vai levar. Não é perigo de isso acontecer enquanto eu for presidente do PMDB”, declarou.

Jucá também disse que a confusão na Comissão de Assuntos Econômicos nesta terça (23), quando senadores da oposição interromperam a reunião de leitura do relatório da reforma trabalhista, foi a “senha” para a “baderna” de rua desta quarta. Jucá fez referência às manifestações de rua na capital federal.

Reunião com Temer

Mais cedo nesta quarta, Temer se reuniu no Planalto com 17 dos 22 senadores do PMDB.  Durante o encontro os senadores disseram que é “insustentável” a continuação de Renan Calheiros na liderança da legenda do Senado.

De acordo com o Blog do Camarotti, na audiência, Michel Temer reclamou da postura de Renan Calheiros como líder da bancada. As informações são do G1.

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Solve : *
4 × 12 =