Mulher oferece faxina em troca de refeição e sensibiliza internautas

Belo Horizonte – Uma belo-horizontina de 38 anos virou assunto nas redes sociais ao longo dos últimos dias por conta de uma atitude drástica. Ela recorreu ao Facebook para anunciar um serviço de faxinas e, em troca, pediu apenas uma refeição. Na postagem feita em um grupo, Ana Paula Oliveira disse ainda que não era necessário pagar a passagem para que ela fosse até o local de trabalho. A publicação gerou diversas reações – a maioria delas positiva -, e surpreendeu a mulher, que sabia do risco de se expor mas que precisava, no entanto, ter o que comer. As informações são do BHAZ.

“Somente hoje, imperdível! Limpo sua casa a troco de uma refeição! Válido para BH, passagem não incluída”, anunciou Ana em um grupo de vendas no Facebook. E não demorou para que as respostas começassem a aparecer. A mulher conversou com o BHAZ nesta quinta-feira (25) e explicou ter ficado “estarrecida” com o retorno que recebeu.

“Eu fiz aquele post desesperado esperando uma respostinha só. A ideia era tirar do ar assim que alguém demonstrasse interesse, mas foram muitas respostas e muito rápido. As pessoas me ofereceram comida, trabalho”, contou. “Eu fiquei chocada e estarrecida, sabia que estava me arriscando com tamanha exposição, mas eu precisava comer. Me emocionou demais, já que eu esperava até mais críticas do que auxílio. Fechei faxina na casa de uma moça, tenho agenda até sábado e ainda preciso responder outras mensagens”, contou toda empolgada.

Ana Paula vive sozinha e está fora do mercado de trabalho formal desde 2013
(Reprodução/Facebook)

Natural de Belo Horizonte, Ana Paula está fora do mercado de trabalho formal há pelo menos seis anos. Desde de 2013, quando perdeu o trabalho de operadora de crédito, em uma empresa de telemarketing, ela faz o que pode no mercado informal para sobreviver. “Desde de 2013 eu tenho tentado toda forma de sobrevivência fazendo um pouco de tudo para não ficar parada, para ter o que comer e onde morar”, explica.

A mulher conta já ter sido ambulante, vendedora e diarista. “Eu tenho ensino médio e informática, como todo mundo, mas com a diferença de que tenho 38 anos. Muita gente questiona como uma mulher dessa idade não consegue se manter, mas é complicado. Eu tenho interesse em me qualificar, eu preciso de uma profissão para voltar ao mercado”, diz.

Além das faxinas que já conseguiu, Ana também recebeu suporte para que consiga um emprego formal. “Tem muita gente me procurando pra ajudar. Recebi doações de roupas pra que eu me apresente melhor, também vão imprimir currículos para que eu leve nos locais. Isso tudo pra mim é uma prova do sobrenatural, mas acima de tudo de que as pessoas não são totalmente frias como a gente ouve dizer. As redes sociais têm muita gente calorosa e também servem para aproximar as pessoas. Eu só tenho a agradecer”, pondera.

Ana ainda rebate as poucas críticas que recebeu e diz que não queria aparecer, como alguns disseram, e que essas pessoas deveriam “abrir os olhos para perceber a realidade”. “Muita gente duvidou que eu estava oferecendo a faxina para ter o que comer, mas não é difícil ver em outros grupos pessoas anunciando serviços de limpeza por R$ 40. É desesperador não ter o que comer e não ter oportunidade”, conta.

Doações

A história de Ana Paula sensibilizou também um grupo de mulheres que irá recolher doações para ajudá-la. Quem tiver interesse em ajudar, inclusive com alimentos, pode procurar o Brechó Cadê Tereza, que fica na Savassi. O local fica na rua Tomé de Souza, 821, e atende no telefone (31) 3225-7039.

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